Afinal de contas, num projeto de Urbanismo se projetam as vias e não os lotes.

Maria Heloísa Maltarolo, Arquiteta Urbanista, fundadores da URBITARE Arquitetura e Urbanismo.
No dia 8 de novembro é comemorado o Dia do Urbanismo, a data é promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como oportunidade para refletir sobre soluções sustentáveis e conscientes para as questões urbanas, através da interação entre o poder público, os profissionais e a sociedade.
É um bom momento para debater sobre a organização espacial e social das cidades no Brasil, e a importância da atuação dos Arquitetos Urbanistas para a melhoria do tecido urbano e da qualidade de vida das pessoas.
Muitas empresas vivem num eterno frenesi na busca por “profissionais mais baratos” com o intuito de minimizar os custos de produção de seus projetos e acabam por desqualificar bons Arquitetos Urbanistasque por sua vez poderiam agregar muito mais economia, qualidade e beleza para seus empreendimentos se utilizando de novas técnicas projetuais.
Com o advento das plataformas gráficas que começou com o surgimento do AutoCAD e a popularização das universidades de Arquitetura e Urbanismo, a forma de projetar Loteamentos, por exemplo, evoluiu muito nas últimas três décadas. Contudo, algumas técnicas ainda continuam as mesmas, talvez por causa da legislação um pouco “engessada” e até pela falta de visão de alguns legisladores, técnicos, prefeitos e até mesmo dos projetistas.
Só para citar um exemplo, há municípios que a legislação atual manda que todas as novas vias de um empreendimento, tenha largura total de 15,00 metros com leito carroçável de 9,00 metros. Seria perfeito se não fosse o fato de que simplesmente se esqueceram de adotar um sistema de hierarquia viária, com a adoção de vias locais mais estreitas, coletoras mais largas e as arteriais com pista dupla.
Nos dias atuais, os legisladores deveriam se preocupar mais com as árvores e os pedestres do que com os carros, isso porque numa calçada de dois metros de largura, sobra pouco espaço para instalar uma faixa de serviços, passeio e jardim com larguras adequadas.
Sem contar a falta de fiscalização dos municípios que acaba permitindo a construção de rampas de garagemnas calçadas e a formação de degraus entre umimóvel e outro, formando “escadas” que tornam impossíveis o trânsito dos pedestres.
Uma hierarquia viária bem planejada gera muita economia para os empreendedores e principalmente para o município que é quem vai fazer a manutenção do sistema viário. Vias mais estreitas geram menos custos de recapeamento e sinalização horizontal.

Como se observa na imagem, a esquina fica mais bonita e permite uma grandeeconomia de materiais caros, tais como pavimentação asfáltica e tintas usadas na sinalização horizontal. E se não bastasse ainda tem um enorme ganho ambiental com o aumento de área permeável nas esquinas.