Por Mariana Silva – Psicopedagoga e Terapeuta ABA
O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento, que manifesta seus sintomas de modo precoce, geralmente antes do terceiro ano de vida. Esse transtorno é caracterizado por gerar prejuízos na comunicação, dificuldade na interação social e pela presença de comportamentos e/ou interesses repetitivos ou restritos para coisas e pessoas. Esses prejuízos, por sua vez, afetam o desenvolvimento pessoal, social, pedagógico e,posteriormente, profissional daquela pessoa.
Afirmo que o TEA é mais que isso – ele é complexo, amplo e variável. Até mesmo a palavra espectro torna-se insuficiente para descrever com clareza toda sua singularidade.
Costumo dizer que o TEA retira uma série de habilidades que, em maior ou menor proporcionalidade, são inatas ao ser humano. Essas dificuldades fazem que a pessoa desenvolva um comportamento incomum aos olhos de pessoas típicas, ou seja, um comportamento atípico.
Esses comportamentos e inabilidades irão variar conforme nivel de suporte, sexo, comorbidades e sua base genética. Devido a sua manifestação heterogênea, algumas crianças apresentarão os sintomas sugestivos desde os primeiros meses de vida, ao passo que outras irão se desenvolver relativamente bem por um período, mas perderão habilidades adquiridas, tornando os atrasos evidentes. Haverá casos mais funcionais, que desenvolverão estratégias e habilidades para mascarar seus prejuízos e acabarão passando despercebidos e sem diagnostico na primeira infância.
O Autismo não tem causa única, porém sabemos que há um forte sinergismo entre o componente genético e fatores ambientais, que influenciam como fator de associação ao diagnóstico (BOLTE; GIRDER; MARSCHIK,2019)
Além disso, é indispensável que todos compreendam sobre o TEA, pois é um dos transtornos mais prevalentes na infância. Dados publicados em março de 2023 pelo Centro de Controle de Prevenção de Doenças (CDC) estimam que, nos Estados Unidos, uma em cada 36 crianças, aos 8 anos, seja autista, isso significa 2,8% desta população. Ainda não temos a prevalência real de TEA no Brasil, mas se considerarmos esses números, devemos ter em torno de 6 milhões de autistas no nosso país. Esse mesmo estudo ainda traz uma maior prevalência em meninos, na proporção de 3,8 para cada menina. Esse dado ainda é questionado por muitos autores, pelo fato de o autismo em mulheres ser subdiagnosticado.
Mesmo sendo tão prevalente, o diagnostico continua sendo um desafio. O Manual de Orientação no Diagnostico do TEA, publicado pela Sociedade Brasileira de Pediatria em 05/04/2019, aponta que as primeiras preocupações observadas no desenvolvimento atípico da criança foram: atraso na linguagem verbal, falha em responder seu nome, falta de contato visual e agitação. Essas preocupações iniciais surgiram, em média, aos 23,6 meses de idade e o diagnostico formal só foi estabelecido próximo aos 6 anos (59,6 meses), o que corresponde a um atraso significativo médio de 36 meses.
A evolução do paciente depende do diagnóstico precoce e intervenção adequada. Segundo publicado por Pierce (2019), o diagnóstico do TEA pode ser realizado com segurança a partir dos 14 meses de idade. No entanto, reforço que não existe idade mínima para realizar o diagnóstico e muito menos para iniciar as intervenções. Sabemos que a abordagem precoce interfere diretamente no bom prognostico do autista.
Para que isso aconteça é necessário que o diagnóstico seja claro tanto para pais como profissionais.
O diagnóstico do TEA é pautado no Manual Diagnostico e Estatísticos dos transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-5), que descreve que é necessário precocidade dos sintomas, e que causem prejuízos clínicos significativos no funcionamento social, profissional e pessoal ou em outras áreas importantes da pessoa. Além disso, esses prejuízos não são bem explicados por deficiência cognitiva e intelectual ou pelo atraso global do desenvolvimento.
Os níveis de gravidade ou necessidade de suporte do TEA, segundo os critérios diagnósticos do DSM-5 são: NIVEL 1 – Necessita de Suporte, NIVEL 2- Necessita de suporte substancial, NIVEL 3- Necessita de suporte muito substancial.
Sobre os níveis, é importante dizer que o autista de nivel de suporte 3 “grave” tem seus potenciais desacreditados e,em contrapartida, o autista nivel de suporte 1 “leve” tem seus prejuízos banalizados; por isso, peço, gentilmente, que acreditem no potencial e nas dores de seus filhos e pacientes.
A intervenção precoce é determinante para proporcionar melhor resultados no tratamento do paciente. Tratamento esse que deve ser intenso, com qualidade e quantidade, composto por técnicas comportamentais baseadas na ciência ABA e associado a especialidades de acordo com as necessidades de cada paciente.
O autismo não se limita a uma ciência ou especialidade. Família, escola e terapeutas serão fundamentais para potencializar todo desenvolvimento da criança.
Eu Mariana Silva – Psicopedagoga e Terapeuta ABA estou à disposição de vocês para conversarmos mais sobre o assunto, e ajudar você a trilhar o melhor caminho para seu filho.
Referências
SIMPLIFICANDO O AUTISMO PARA PAIS, FAMILIARES E PROFISSIONAIS (Coordenação editorial Dr. Thiago Castro).
ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA. Manual diagnóstico e estatísticos de transtornos mentais- DSM-5. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2023.
MASHURA, M.; VILANOVA, L. Neurologia Infantil Fundamentos e prática clínica. São Paulo: DI Livros Editora, 2023.
Manual de Orientação da Sociedade Brasileira de pediatria, Transtorno do Espectro Autista – Abril de 2019.

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